Quem está pensando em começar ou voltar a malhar para ficar em forma no verão deve preparar o bolso. As academias ficaram até 6,5% mais caras na região metropolitana da cidade entre janeiro e agosto. O aumento ficou acima da inflação no período, que foi de 3,98%, segundo o Índice de Custo de Vida (ICV), calculado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Os maiores aumentos, justamente de 6,5%, foram registrados na modalidade ginástica ou musculação, uma das mais procuradas. Para os adeptos apenas da natação, porém, a alta foi menos vigorosa, de 3,25%, nesse caso índice um pouco abaixo da inflação no período.
Cornélia Nogueira, coordenadora do ICV, acredita que o motivo está no aumento da demanda pelo serviço. “Mais pessoas têm acesso aos serviços prestados, seja pela questão de elevação de renda como pela questão de que há mais informação sobre os benefícios dos exercícios físicos”, diz.
Segundo a Associação Brasileira de Academias Acad, o número de alunos matriculados nas academias no País passou de 4,7 milhões em 2010 para 5,4 milhões este ano, aumento de 14,8%. A quantidade de estabelecimentos também aumentou: passou de 15,5 mil para 18,1 mil no País no período (alta de 16,7%).
A Acad também acredita que a expansão de grandes redes no País, que têm um grau maior de profissionalização, também tem impacto nos preços.
A perspectiva, segundo o Dieese, é que os preços do serviço continuem subindo, por causa do bom momento da economia. “A tendência é que a inflação de serviços siga mais pressionada do que a inflação de bens. Enquanto a inflação relacionada a produtos subiu 2,91% este ano, a de serviços aumentou 5,02%”, diz Cornélia.
Contratos
Além de pesquisar preços e verificar as vantagens oferecidas, também é necessário, antes de efetuar a matrícula, prestar atenção no contrato.
Pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) em dez academias em julho aponta que a Competition e Contours não colocavam à disposição o contrato de forma prévia. O contrato da Bio Ritmo e Cia Athlética apresentaram cláusulas pouco claras sobre reajustes.
Todas previam multas por cancelamento e Smart Fit, Bio Ritmo, InShape, Curves, Cia Athlética e Rubel se eximiam em contrato da responsabilidade por danos e furtos no estacionamento ou guarda-volumes. A Bio Ritmo e a Inshape exigiam que o exame médico fosse feito na academia e a não deixava claro no contrato que o cliente terá sempre um instrutor à disposição durante os exercícios.
Procurada, a Companhia Athletica disse comprometer-se a aperfeiçoar as cláusulas contratuais que eventualmente causem dúvidas. A Curves afirma que as modificações sugeridas já foram feitas. A Contours diz que o aluno recebe uma cópia do contrato, mas caso seja necessária análise prévia, poderá solicitar uma via.
A Rubel reescreveu as cláusulas que foram citadas na pesquisa e diz que está na fase final da produção dos novos contratos. A Smart Fit informa que já adequou os contratos no seu site. A Inshape e Competition não responderam à reportagem. A Competition disse ao Idec que fornece cópia do contrato aos clientes que solicitam.
O atendente de SAC Cléber de Souza Oliveira, de 27 anos, se matriculou em julho em uma academia perto de sua casa. “Pesquisei algumas no centro da cidade e grandes redes e, além de serem cerca de R$ 30 a R$ 50 mais caras, o processo de matrícula é burocrático”, diz. Ele prefere pagar por mês. “Caso não goste não fico preso à academia”.
Fonte: Estadão
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